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Novamente Geografando

Este blog organiza informação relacionada com Geografia... e pode ajudar alunos que às vezes andam por aí "desesperados"!

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As pessoas que morreram para que possamos votar

Mäyjo, 18.05.20

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Achas que não vale a pena sair de casa para exercer o teu direito de voto?

Então conhece 32 pessoas que morreram para que atualmente possamos votar.

Durante mais de 30 anos António de Oliveira Salazar governou Portugal com punho de ferro. Através de um regime nacionalista, autoritário e repressivo despolitizou-se, desmobilizou a participação cívica dos portugueses e criou uma única e determinada imagem do país.

Pretensamente sem conflitos, problemas, miséria e dificuldades, segundo a norma de «o que se parece é». Mas os homens e mulheres de então tinham fome, viviam amordaçados pelo lápis azul dos censores, controlados por escutas telefónicas ou violação do seu correio, intimidados pelos informadores que colaboravam com o regime.

Atormentados pelas torturas da estátua ou do sono perpetrados pela PIDE. Julgados por tribunais fantoches onde a liberdade ficava à porta e onde os próprios advogados passavam a réus. Se a sua atitude fosse considerada suspeita eram saneados, impedidos de exercer a função pública, exilados ou deportados para campos de concentração, ou simplesmente assassinados.

Estes homens e mulheres têm um rosto, sofreram a repressão, enfrentaram-na de forma corajosa e muitos morreram de forma heróica a combatê-la.

Foram 32 os prisioneiros políticos que morreram no Tarrafal; os seus corpos só depois do 25 de Abril puderam voltar à pátria:

Francisco José Pereira
Marinheiro, nasceu em Lisboa em 1909. Em Setembro de 1936, é preso em sequência da sua participação na Revolta dos Marinheiros. É enviado para o Tarrafal no dia 17 de Outubro do mesmo ano. Morre em 20 de Setembro de 1937.

Pedro de Matos Filipe 
Nasceu em Almada em 19 de Junho de 1905 e era descarregador. No dia 30 de Janeiro de 1934 é preso, sendo enviado para o Tarrafal no dia 23 de Outubro de 1936. Morreu no dia 20 de Setembro do ano seguinte.

Francisco Domingues Quintas 
Industrial, nasceu em Grijó, no Porto, em Abril de 1889. Preso no dia 28 de Agosto de 1936, é enviado no dia 17 de Outubro para o Tarrafal, onde morre no dia 22 de Setembro de 1937.

Rafael Tobias Pinto da Silva 
Nascido em 1911 em Lisboa, este relojoeiro é preso em 7 de Novembro de 1935. Enviado para o Tarrafal a 17 de Outubro de 1936, depois de ter sido absolvido pelo Tribunal Militar Especial, morre no dia 22 de Setembro do ano seguinte.

Augusto Costa
Operário vidreiro nascido em Leiria, é preso no dia 1 de Fevereiro de 1934, na sequência do levantamento do 18 de Janeiro. Em 23 de Outubro de 1936, é enviado para o Tarrafal, onde viria a falecer menos de um ano antes, a 22 de Setembro de 1937.

Cândido Alves Barja
Marinheiro, nascido em Castro Verde em Abril de 1910, é preso na revolta dos marinheiros. Enviado para o Tarrafal em finais de Outubro de 1936, morre no campo a 29 de Setembro de 1937.

Abílio Augusto Belchior
Marmorista nascido em 1897, é preso em Janeiro de 1932. Enviado para o Tarrafal no dia 23 de Outubro de 1936, acabou por morrer a 29 de Outubro do ano seguinte.

Francisco do Nascimento Esteves
Nascido em Lisboa em 1914, torneiro mecânico, foi preso em Maio de 1937. Passado um mês, é enviado para o Tarrafal, onde acabou por falecer, pouco mais de seis meses depois, a 21 de Janeiro de 1938.

Arnaldo Simões Januário
Barbeiro nascido em Coimbra em 1897, é preso no início de 1934. A 23 de Outubro de 1936, é enviado para o Tarrafal, onde morreu em Março de 1938.

Alfredo Caldeira
Nascido em Lisboa, em 1908, era pintor decorador. Preso em Outubro de 1933, é enviado, dois anos depois, para o Tarrafal. No primeiro dia de Dezembro de 1938, morre.

Fernando Alcobia
Vendedor de jornais nascido em Lisboa, é preso em Dezembro de 1935. Enviado para o Tarrafal a 29 de Outubro de 1936, faleceu em Dezembro de 1939. Tinha 24 anos.

Jaime da Fonseca e Sousa
Impressor na Casa da Moeda nascido em Tondela em 1902, foi enviado para o Tarrafal a 29 de Outubro de 1936. Morre em Julho de 1940.

Albino António de Oliveira Coelho 
Nasceu em 1897 e era motorista. Enviado para o Tarrafal em Novembro de 1937, faleceu em Agosto de 1940.

Mário dos Santos Castelhano
Empregado de escritório, nasceu em Lisboa em Maio de 1896. Preso em Janeiro de 1934, vai para o Tarrafal em Outubro de 1936. Morreu quatro anos depois.

Jacinto de Melo Faria Vilaça
Marinheiro nascido em Maio de 1914, foi preso em sequência da revolta dos marinheiros. Em Outubro de 1936, é enviado para o Tarrafal, onde morreu em Janeiro de 1941.

Casimiro Júlio Ferreira
Nasceu em Lisboa a 4 de Fevereiro de 1909. Funileiro de profissão, foi preso em Janeiro de 1934. Enviado para o Tarrafal em 29 de Outubro de 1936, morre em Setembro de 1941.

Albino António de Oliveira de Carvalho 
Nasceu em 1884, na Póvoa do Lanhoso. Comerciante, é preso em 1937 e enviado para o Tarrafal em Junho de 1939. Faleceu a 22 de Outubro de 1941.

António Guedes de Oliveira e Silva 
Motorista, nasceu em Vila Nova de Gaia a 1 de Maio de 1901. Em Novembro de 1937 foi preso, tendo sido desterrado para o Tarrafal dois anos depois, em Abril de 1939. Morreu em Novembro de 1941.

Ernesto José Ribeiro
Nasceu em Março de 1911, em Lisboa. Padeiro ou servente de pedreiro, é preso em Janeiro de 1934. a 23 de Outubro de 1936 é mandado para o Tarrafal. Morreria em Dezembro de 1941.

João Lopes Dinis
Canteiro nascido em Sintra, em 1904, é preso em Dezembro de 1934. Em Outubro de 1936 é enviado para o Tarrafal, onde viria a falecer a 12 de Dezembro de 1941.

Henrique Vale Domingues Fernandes
Nascido em Agosto de 1913, este marinheiro foi preso em Setembro de 1936. Dois meses depois rumava ao Tarrafal de onde não sairia com vida. Morreu no dia 7 de Janeiro de 1942.

Bento António Gonçalves
Nascido em Março de 1902 e natural de Santo André de Fiães do Rio, no concelho de Montalegre, era torneiro mecânico no Arsenal da Marinha. Em Novembro de 1935 é preso e onze meses mais tarde é enviado para o Tarrafal. Morreu a 11 de Setembro de 1942.

Damásio Martins Pereira
Operário, é enviado para o Tarrafal no dia 12 de Junho de 1937. Faleceu em Novembro de 1942.

António de Jesus Branco 
Descarregador nascido em Carregosa, no dia de Natal de 1906, é preso em Julho de 1936. A 29 de Outubro do mesmo ano é enviado para o Tarrafal. Morre em 1942, três dias depois de ter completado 36 anos.

Paulo José Dias 
Nasceu em Lisboa no dia 24 de Janeiro de 1904. Fogueiro-marítimo de profissão, é preso no dia 7 de Julho de 1939. Enviado para o Tarrafal em Junho de 1940, faleceu em Janeiro de 1943.

Joaquim Montes
Operário corticeiro nascido em Almada em 11 de Setembro de 1912, é preso a 30 de Janeiro de 1934. Enviado para o Tarrafal em Outubro de 1936, acabaria por morrer em Fevereiro de 1943.

Manuel Alves dos Reis
De Manuel Alves dos Reis pouco se sabe. Apenas que faleceu em 11 de Junho de 1943 no Campo de Concentração do Tarrafal.

Francisco Nascimento Gomes
Condutor, nascido em Vila Nova de Foz Côa a 28 de Agosto de 1909, foi preso em Outubro de 1937. Em Abril de 1939, é enviado para o Tarrafal onde acabou por falecer em Novembro de 1943.

Edmundo Gonçalves
Nascido, em Fevereiro de 1900, em Lisboa, foi preso em Dezembro de 1936. Enviado para o Tarrafal em Junho de 1937, morreu sete anos depois, em Junho de 1944.

Manuel Augusto da Costa
Pedreiro da Amora, chega ao Tarrafal a 29 de Outubro de 1936. Faleceu a 3 de Junho de 1945, pouco menos de um mês depois da derrota no nazifascismo na Europa.

Joaquim Marreiros
Marinheiro nascido em Lagos em 1910, é preso em Setembro de 1936, na sequência da Revolta dos Marinheiros. Estava no grupo de 150 presos que «inaugurou» o Campo do Tarrafal, em Outubro de 29 de Outubro de 1936. Morreu em 1948.

António Guerra
Nascido na Marinha Grande, a 23 de Junho de 1913, este empregado do comércio foi enviado para o Tarrafal a 29 de Outubro de 1936. Lá faleceu, no final de 1948. Foi a última vítima do «Campo da Morte Lenta».

 

Fonte: VortexMag

Crannog mais antigo do mundo foi descoberto

Mäyjo, 19.06.17

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Fotos: Joe / Andrew / Ben Salter / Creative Commons

MIGRAÇÃO DE POVO RUSSO AJUDOU A FORMAR EUROPA MODERNA HÁ 5.000 ANOS

Mäyjo, 19.07.15

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A Europa moderna foi apenas formada há 5.000 anos, quando uma migração em massa do sul da Rússia e Geórgia trouxe novas línguas, tecnologia e processos agrícolas para o continente. De acordo com especialistas do Centre for GeoGenetics, do Museu do Museu da História da Dinamarca, em Copenhaga, uma grande mudança nas pessoas da região do Cáucaso, há 5.000 anos, trouxe os migrantes para o Norte da Europa.

Estes migrantes transportaram uma mutação genética que permitiu aos adultos a tolerância a beber leite de vaca – esta última característica surpreendeu os investigadores.

O estudo, um dos maiores acerca do ADN dos esqueletos da Idade de Bronze, descobriu que o povo Yamnaya, que então vivia no Cáucaso, espalhou as suas ideias e ADN por toda a Europa, em países como França, Alemanha e Holanda.

Os Yamnaya trouxeram novas ferramentas e experiências mas também uma nova língua, que se tornou na base de quase todas as línguas europeias actuais, incluindo o grego e o latim, inglês e alemão.

Os elementos do povo Yamnaya substituíram os caçadores-recolectores que viviam no Norte da Europa e trouxeram as suas manadas de gado, que foram importantes para a mudança na forma como os então europeus olhavam para a pecuária.

Esta mistura trouxe também genes ligados a peles mais claras e olhos castanhos para a Europa Central, avança o estudo. Na Europa do Norte, os Yamnaya misturaram-se com os povos da Idade da Pedra, estabelecendo a cultura da cerâmica cordada, que geneticamente se parece com os europeus que, hoje, vivem a Norte dos Alpes.

Há 4.000 anos, a cultura Sintashta evoluiu no Cáucaso – tratava-se de uma cultura com novas armas e carros de guerra sofisticados, que foram rapidamente apadrinhados no resto da Europa. A área a leste dos Urais e até à Ásia Central foi colonizada há 3.800 anos pela Cultura Andronovo – os Yamnaya também migraram para leste, estabelecendo-se em algumas partes da Ásia Central antes de serem substituídos pelos asiáticos há 2.000 anos.

“Até agora, pensava-se que a tolerância a lactose se desenvolveu nos Balcãs ou no Médio Oriente, devido à introdução da pecuária, na Idade da Pedra”, explicou o co-autor do estudo, Martin Sikora. “Mas agora podemos ver que, até no final da Idade de Bronze, a mutação que deu lugar a esta tolerância é rara na Europa”, explicou Sikora, o que levou à conclusão de que teriam sido os Yamnaya a introduzirem esta tolerância na Europa.

No início do ano, um estudo similar desenvolvido pela Universidade de Harvard descobriu que, quando os Yamnaya migraram do Mar Negro e Mar Cáspio, transportaram também os genes para da altura para a Europa do Norte e Europa Central.

Hoje, por exemplo, o povo alemão tem muitas das características trazidas pelos Yamnaya.

HONDURAS: CIDADE DESCOBERTA NA FLORESTA TROPICAL PODERÁ SER UMA CIVILIZAÇÃO PERDIDA

Mäyjo, 06.05.15

la mosquitia_SAPO

Uma equipa de arqueólogos da Colorado State University descobriu novos vestígios de uma civilização antiga, numa área remota da região tropical de La Mosquitia, nas Honduras. Em 2012, algumas escavações desenterraram parte de uma cidade, no mesmo local, mas a nova descoberta, feita pela mesma equipa, poderá indiciar que se trata de uma civilização completa e não apenas uma cidade.

Segundo o Observador, que cita o National Geographic, uma equipa de arqueólogos organizou há três anos uma expedição à remota região tropical das Honduras, motivada pelos rumores acerca da existência da chamada White City (Cidade Branca, em português) e também conhecida por City of the Monkey God (Cidade do Deus Macaco).

Através de uma tecnologia que permite a localização de vestígios arqueológicos com um laser, delineando as suas características arqueológicas mesmo por debaixo de densas florestas tropicais, a equipa encontrou, em 2012, um conjunto de ruínas no local correspondente à localização da White City.

Na passada quarta-feira, a equipa regressou ao local das ruínas e encontrou uma considerável quantidade de esculturas de pedra da alegada cidade lendária, intocadas desde que o local fora abandonado há séculos.

A lenda dizia que, por entre a folhagem tropical da floresta da região de La Mosquitia, emergiam as muralhas brancas da cidade perdida, um lugar místico onde os indígenas se haviam outrora refugiado dos conquistadores espanhóis e de onde ninguém alguma vez regressara.

A equipa de Colorado encontrou 52 artefactos, entre os quais uma espécie “homem-jaguar” possivelmente representando um xamã num estado transformado de espírito. Outra explicação é que este artefacto possa corresponder a um elemento dos rituais de jogos de bola, comuns na vida pré-colombiana da Mesoamerica. A figura terá sido feita entre os anos 1000 a 1400 A.C.

Uma vez que a região de La Mosquitia tem, no seu seio, um conjunto de vestígios de várias cidades perdidas, vários arqueólogos supõem agora que, juntas, essas cidades constituam algo bem mais importante – a existência de uma civilização perdida.

A National Geographic conta que o perigo da desflorestação que esta região enfrenta constitui um grande perigo no contexto desta possível descoberta, numa região que é, de acordo com Mark Plotkin, um etnobotânico que passou 30 anos na Amazónia, a floresta tropical mais intocada de toda a América Central.

Vinha abandonada há mil anos redescoberta em Espanha

Mäyjo, 12.09.14

Aqui fica uma curiosidade agora que estamos em tempo de vinhas e vindimas!

 

Vinha abandonada há mil anos redescoberta em Espanha

 

Arqueólogos espanhóis descobriram vestígios de uma vinha abandonada há mais de mil anos em Zaballa, um ajuntamento medieval que desapareceu no século XV. Os investigadores do País Basco estão a trabalhar neste e noutros 300 ajuntamentos abandonados no tempo, à medida que as pessoas migravam das zonas rurais para as vilas e cidades

 

Assim, e de acordo com o Quaternary International, os arqueólogos conseguiram identificar uma série de socalcos no local como sendo vinhas – eles estudaram as sementes, pólen e ferramentas deixadas para trás para chegar a esta conclusão.

 

As ferramentas de metal descobertas no local não terão sido utilizadas para culturas de cerais, como o trigo, mas sim para culturas vinhateiras. O local será novamente estudado, para dar aos historiadores e cientistas mais informações sobre o dia-a-dia das gentes de há mil anos. O objectivo é perceber como a sociedade medieval mudou em resposta às pressões políticas e económicas da época.

 

Foto:  Michal Osmenda / Creative Commons